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segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Meu Universo psicodélico


Definitivo, como tudo o que é simples.


Nossa dor não advém das coisas vividas,


mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.


Sofremos por quê?


Porque automaticamente esquecemos


o que foi desfrutado e passamos a sofrer


pelas nossas projeções irrealizadas,


por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido


ao lado do nosso amor e não conhecemos.


Por todos os filhos que gostaríamos de ter tido juntos e não tivemos.


Por todos os shows e livros e silêncios


que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos.


Por todos os beijos cancelados.


Pela eternidade.


Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante


e paga pouco, mas por todas as horas livres


que deixamos de ter para ir ao cinema,


para conversar com um amigo, para nadar, para namorar.


Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco,


mas por todos os momentos em que poderíamos


estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias


como se ela estivesse interessada em nos compreender.


Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.


Sofremos não porque envelhecemos,


mas porque o futuro está sendo confiscado de nós,


impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam.


Todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.


Por que sofremos tanto por amor?


O certo seria a gente não sofrer,


apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana,


que gerou em nós um sentimento intenso


e que nos fez companhia por um tempo razoável,


um tempo feliz.


Como aliviar a dor do que não foi vivido?


A resposta é simples como um verso:


Se iludindo menos e vivendo mais!!!


A cada dia que vivo, mais me convenço


de que o desperdício da vida está no amor que não damos,


nas forças que não usamos, na prudência egoísta


que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento,


perdemos também a felicidade.


A dor é inevitável.


O sofrimento é opcional...

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